9 de março de 2008

Catarse da Contestação ( Requiem pela Educação em Portuguesa)



Declaração de Interesses : Sou filho e irmão de professoras.

Ontem viveu-se, de facto, uma catarse na contestação à Ministra da Educação. Penso que a contestação visa mais o governo do que as politicas educativas. Com excepção dos sindicalistas mais empernidos a generalidade dos professores concorda com o principio da avaliação. Com excepção dos sindicatos também não creio que a esmagadora maioria dos professores seja contra a re-habilitada figura do Director da Escola.

Ora, haveria razões para o protesto? Claro que sim. A gigantesca manifestação mais não é que um grande grito de protesto, não contra um aspecto particular da politica educativa, mas contra uma lenta, mas premeditada politica de rebaixamento profissional e social que os mestres em "ciências da educação" da 5 de Outubro gizaram contra os professores.

Importa salientar que, em tese, algumas ideias do governo seriam correctas... se acompanhadas de outras que dignificassem a profissão de professor. Os professores gritam contra a desprotecção e as agressões de alunos/pais de alunos a professores. Gritam contra a avaliação burocrática que lhes é proposta onde se pretende não avaliar o mérito do professor mas o nº de aprovações.
Importa também dizer que os Sindicatos, a exemplo da ministra, deviam estar no banco dos réus ( é um ledo engano considerá-los vencedores da jornada de ontem). Os sindicatos da educação foram ao longo de 20 anos aliados fieis dos burocratas das ciências da educação que enchem os corredores da 5 de Outubro. Ideias como mérito, avaliação, rigor nos gastos públicos e visão integrada da escola são-lhes estranhas. Ficam-se no mero corporativismo que nestes momentos de crise é premiado.


O verdadeiro drama de tudo isto é a destruição da escola pública. Gerações de portugueses tiveram na escola pública um veículo de ascensão social. A escola premiava na vida os melhores, pobres ou ricos. Numa escola onde passam todos ( a ditadura das estatisticas assim o obriga) os filhos dos pobres são os que mais perdem com o abastardamento da autoridade e do minimalismo do saber a transmitir ao aluno ( É preciso gritar bem alto que o Centro da Escola é o Saber e não o Aluno. O aluno que não quer aprender não deve continuar na escola. Para muitos isto é uma heresia. Para mim um principio de liberdade individual..)

Por último, é importante que este tema não saia da agenda politica. O que verdadeiramente deve ser varrido das escolas são os gramscinianos das Ciências da Educação. ESpera-se sobretudo do PSD ( Pai deste descalabro, desde os tempos do Roberto Carneiro) que, logo que sinta preparado para governar, nos diga algo sobre este assunto.

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