4 de julho de 2008

O Observador

(Publicado no Edição nº 115 do Jornal "Canas de Senhorim")

O passado mês foi rico em temas de relevo local.


A Revisão do Plano Director Municipal de Nelas

Acabei por obter resposta sobre o ponto de situação da Revisão do Plano Director Municipal. Dizem-me que as alterações ao traçado do IC 12 são a causa principal deste atraso (curiosamente a resposta que me foi enviada pela Câmara Municipal omite o IC 37 que, segundo uma das soluções “rasgará” o concelho ao meio entre Canas e Nelas).
Modestamente, devo dizer que acho a resposta completamente insatisfatória. Importa não esquecer que a Revisão de um PDM é um processo de planeamento…mas também um processo politico, que condiciona o desenvolvimento das povoações. Face à animosidade histórica, de todos conhecida, entre as 2 principais localidades do concelho (cujos motivos todos conhecemos) ganhar-se-ia, e muito, em fazer desta processo um exemplo e que do mesmo não resultasse sombra de parcialidade ou bairrismo. Diz-me o Departamento de Planeamento que a fase de envio de sugestões dos particulares terminou em 2004. Ora, de 2004 para hoje tanta coisa mudou (nos protagonistas da politica nacional e local, nos acessos projectados) pelo que se impõe uma atitude mais pró-activa.
No entretanto, são vários os boatos sobre um novo PDM que possa estar a ser “cozinhado” para não vir ao encontro aos interesses legítimos de Canas. A única forma de rebater estes boatos é gerir este processo de forma absolutamente transparente e diria eu, com mais abertura do que aquele que a lei prevê. Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos….

IC 12 e IC 37

A pedir transparência está também o processo das novas acessibilidades. Mas afinal quais as soluções preferidas pelo Município? Houve alterações aos estudos prévios? Ainda pode haver? O que sabe a Câmara acerca das soluções finais? O que se lê nos jornais e na blogosfera é inconclusivo. Também neste dossiê a informação à população está por fazer. Pergunta fundamental: Está a Câmara disponível, enquanto defensora dos interesses de todos os cidadãos do concelho, para promover um esclarecimento cabal sobre o assunto nas freguesias em cujo território estes acessos vão ser construídos?

Futebol Amador e jovem vs Futebol Profissional

Mesmo à distância, e na qualidade de sócio do GDR de Canas de Senhorim (nº 530) só posso enaltecer a brilhante temporada das equipas de futebol do nosso clube. De todas, um destaque especial para as equipas Sénior e Junior. Se tirarmos aquele lado aleatório da bola que entra e não entra, o mais importante a destacar é a obra social do desportivo, nomeadamente os muitos jovens que praticam desporto nesta colectividade, bem como o forte sentimento de identificação dos naturais de Canas, em Portugal e no estrangeiro, com o clube.
Ainda falando de futebol, não posso deixar de destacar pela negativa, não pela época desportiva mas pela péssima gestão de dinheiros públicos, os muitos milhares de euros investidos no clube da sede de concelho – o SL NELAS. Os adeptos e simpatizantes deste clube merecem-me todo o respeito, e certamente compreenderão este desabafo. Parece-me de todo insensato o patrocínio dado, anos a fio, a um clube, a todos os títulos profissional. A megalomania de pretender ser o melhor clube de futebol do distrito não pode ser sustentada pelos contribuintes que, involuntariamente, pagam ordenados chorudos a desportistas profissionais. O dinheiro público, que dizem os políticos ser por aqui escasso, tem pois um péssimo destino. Ora bolas, temos um concelho assim tão rico? A cereja (amarga) em cima do bolo é o caso da alegada corrupção a jogadores de uma equipa adversária – o Abrantes – que contudo os dirigentes do SL Nelas refutam. Esperamos todos que não se confirme este vergonhoso caso, e que de facto seja uma pura falsidade. Só na nossa freguesia temos um punhado de situações onde o dinheiro “investido” no futebol profissional podia ter um fio socialmente mais útil. Assim a minha sugestão é de que se abandone esse despesismo sem público e socialmente inútil, e que, a querer dar-se apoio ao desporto (que é justo e necessário) se dirija o investimento para as equipas amadoras e camadas jovens das várias colectividades do concelho. Futebol Profissional, só se pago pelos próprios interessados.


Manuel Alexandre Henriques
(
mahenriques@sapo.pt)