8 de fevereiro de 2009

Antevisão de alguns temas do debate público em 2009

(Publicado na edição nº 121 do Jornal "Canas de Senhorim")
Neste início de ano – o mais turbulento e pessimista de que tenho memória – vou abordar 3 temas da nossa vida “pública” que, sem sombra para dúvidas, irão marcar o ano de 2009.

Eleições Autárquicas – Vamos ter um ano com três actos eleitorais, mas destes serão as eleições autárquicas a despertar as maiores paixões e exaltamentos (pela positiva, esperamos…). Vamos presenciar, e participar, numa eleição para a Câmara Municipal bem diferente do habitual: perspectivam-se 4 a 5 candidaturas (partidárias e independentes). É certo e sabido que tal não acontece por haver, entre os cidadãos, um grande apelo pela política. Esta “proliferação” de candidaturas é sobretudo um sintoma do profundo desencanto face às políticas e às pessoas que nos últimos anos têm ocupado os principais cargos electivos, e sobretudo à ausência de renovação nos partidos tradicionais, que trocam entre si as principais figuras. Algumas destas figuras governam no vácuo. Não se lhes conhece uma ideia que seja sobre ambiente, desenvolvimento sustentável, preservação do património e, nunca é demais lembrar, justiça e equidade no tratamento das várias freguesias. Espero, com sinceridade, que apareçam ideias e caras novas. Num tom mais optimista, vaticino que pior não ficaremos. Não é irrealista termos, no final do ano, de forma inédita, e na soma dos vários partidos, 2 ou 3 vereadores com residência na nossa freguesia. Na Assembleia Municipal o contingente também poderá também atingir 5 ou 6 representantes. O desafio, para nós eleitores, é sermos bastante exigentes com quem quer assumir estas responsabilidades. Alegra-me a perspectiva de poder ter mais vozes canenses nos órgãos das autarquias locais a quem possa expressar temas que me preocupam, o que, manifestamente, hoje não acontece. Por mais que lamente a frustração de certos sonhos recentes – nomeadamente o veto presidencial da restauração do concelho de Canas de Senhorim – é insustentável a situação de sub-representação autárquica em que vivemos. Os órgãos camarários, desde 2001, encontram-se carecidos de legitimidade politica por não terem uma representação decente da nossa freguesia. E isto, doa a quem doer, também contribui para o nosso atraso. As opções eleitorais deverão ser também medidas pelo modo como o peso relativo da nossa freguesia é traduzido nas listas eleitorais. Torna-se muito provável, face à divisão de votos expectável, que nenhuma força partidária consiga, no actual quadro, eleger mais do que 3 vereadores. Estou por isso curioso para ver os equilíbrios que nos vão ser apresentados ( nas listas).

Obras Públicas – É notório que o Governo da República, bem ou mal, vê as obras públicas como o principal receituário para tornar a crise económica menos dolorosa. Desta feita, e com 15 anos de atraso, esperamos que finalmente se inicie, no decurso deste ano, a conclusão do IC 12 – troço que liga Canas de Senhorim a Mangualde – integrado na Concessão das “Auto-Estradas do Centro”. Sobre o IC 37, pelo que se diz, nada está definido, e é provável que não seja concessionado em 2009.
Ao nível das obras de responsabilidade da Câmara Municipal verifica-se que o ano agora iniciado será mais frutífero que os anteriores. Parece agora haver vontade de fazer algumas obras, embora não estruturais (como seria um Centro escolar, a requalificação da zona industrial da ribeirinha, a ligação da estrada da Póvoa à Vila de Canas, o Centro cultural, etc.). Não questiono as intenções políticas de apenas se fazerem obras em 2009 (quando em outras freguesias se fazem durante todo o mandato). O mandato é de 4 anos. E apenas no final destes 4 anos é que é chegado o momento próprio para um juízo definitivo sobre o mandato que cessa. Este juízo – sobre a qualidade, fim e oportunidade das obras – deverá ser feito “solitariamente” pelos eleitores, que saberão distinguir, sem mediadores, entre aquilo que é investimento estrutural e reprodutivo daquilo que é adorno ou “pó de arroz”.

Indústria e Emprego – Uma das maiores interrogações para 2009 é a forma como resistirão à crise económica as empresas no concelho de Nelas e municípios vizinhos. Os sinais, não vele a pena esconder, são muito preocupantes, com alguns grandes empregadores da região em aberta desaceleração da actividade produtiva (por todos, a Citroen, em Mangualde). Pessoalmente, embora considere oportuna – nesta situação de emergência – a intervenção governamental que visa salvar as empresas e o emprego, não posso deixar de considerar que, a prazo, o “estado-bombeiro” não vai ter possibilidades de acudir a todos, e será acusado de arbítrio e favoritismo por ajudar umas empresas e não ajudar outras. Esperemos que os piores cenários não se confirmem. Era bom sinal que a presença do estado fosse irrelevante…

O que é um facto, para o país e para a região, é que a estrutura produtiva está a alterar-se, com a crescente perda de importância do sector industrial. O desafio, para quem à escala local ou nacional tem esse poder, é, na parte que lhe compete, promover medidas que efectivamente favoreçam o emprego e a viabilidade das empresas (redução do IRC, da taxa social única e da derrama sobre o lucro das empresas,etc). Um país desindustrializado, e com um sector exportador a definhar, não tem futuro.

Manuel Alexandre Henriques
(mahenriques@sapo.pt)

1 comentário:

Portaria ILEGAL disse...

Convido o autor deste blog assim como os seus leitores a verem o anúncio que coloquei no blog: http://portaria-59.blogspot.com/
que levanta sérias duvidas acerca do caso BPN.
Cumprimentos e obrigado