2 de maio de 2009

Sobre o Provincianismo

Via Miss Pearls

"Mais do que os modos, é a linguagem que trai o "cristão novo" das cidades. Esse "branqueamento" das origens, tão indisfarçável quanto patético, é incapaz de esconder os travozinhos dos regionalismos ou especificidades da língua local. Um exemplo? Metam meia dúzia de beirões na mesma sala, daqueles que estão nas grandes cidades há anos, pois rapidamente hão-de trocar o coalho por coêlho e irão todos [a] buscar um copo de água. Não é necessário recorrer a Aquilino Ribeiro. Os sons, o vocabulário e os regionalismos, estão lá para quem os quer ouvir.
Esse receio de poder vir a ser considerado provinciano e a forma pejorativa que isso encerra, nada mais é que uma parolice, expressão usada igualmente para classificar quem não pertence à nossa tribo, tudo gente civilizada, culta, cosmopolita e polida. Tolices. O provincianismo nada ter a ver com o local onde se nasce, onde se viveu durante muito tempo, na forma de vestir ou de falar. O provincianismo está na tacanhez de espírito, nos tiques de tiranete que se vão adquirindo por deslumbramentos vários, na falta de mundo, de humildade, de nobreza de carácter, e na forma propotente com se tratam os outros, os mais vulneráveis, claro."

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