3 de julho de 2009

Com lombas e Sem lombas

(Publicado na edição nº 127 do Jornal Canas de Senhorim)

Lombas na estrada – Quero partilhar com os leitores um problema de tráfego, antigo, de todos conhecido, que existe em Canas de Senhorim. Não obstante os transtornos e os riscos para as pessoas que o mesmo provoca, a sua resolução, havendo vontade, seria extremamente fácil. O eixo distribuidor do tráfego automóvel na Vila de Canas de Senhorim é a via que liga o Viaduto à Estação do Caminho de Ferro (Ruas Dr. Abílio Monteiro, do Rossio e da Estação). Esta via, de longe aquela com mais tráfego na vila, atravessa zonas com elevada circulação pedonal (comércio, escolas, pontos de encontro habituais, cruzamentos, locais de culto, etc). A ausência de lombas ou outros moderadores de velocidade fazem deste troço, em algumas horas do dia, uma verdadeira pista de automobilismo. Sem colocar em causa a modalidade – que também aprecio – parece-me que as autoridades com pouco esforço podiam fazer muito. Só por sorte, e dadas as velocidades praticadas nesta “pista”, não aconteceram ainda (mais) acidentes graves. Faço um apelo à Câmara Municipal e à Junta de freguesia, para mais numa altura que estão em curso diversas obras na Vila, que aproveitassem esta oportunidade para resolver a situação. Na impossibilidade de termos um agente de autoridade em cada esquina a controlar a velocidade dos veículos parece-me, salvo melhor opinião, que a colocação de lombas poderia resolver, de forma rápida e barata, este problema (que quem habita ou trabalha ao longo da referida via bem conhece). Outras situações críticas haverá como são os casos da Avenida dos Bombeiros Voluntários, Rua do Paço e Lage do Quarto. Só não é resolvido se houver má-vontade.

Lombas na politica – Aceleram a fundo os partidos na listas à Câmara e Assembleia Municipal. Também aqui importa ir com velocidade moderada e fazerem – os partidos - as melhores escolhas. No desenvolvimento local as questões ideológicas e partidárias estão à partida fora de cogitação. A única linguagem inteligente é falar de pessoas e projectos, porque nas autárquicas a politica é (a) de proximidade. E se falamos de pessoas neste contexto, é de pessoas nas listas. E se é de pessoas nas listas, é nos lugares mais destacados, e elegíveis, destas listas. Da leitura que faço deste cenário pré-eleitoral parece-me totalmente irrazoável pensar, e salvo alguma surpresa, que algumas das listas já conhecidas (4) venha a eleger mais do que 3 vereadores (em 7). Parece-me por isso fulcral que o novo executivo represente o concelho como os anteriores o não têm feito (ou conseguido). É bom lembrar que há 12 anos que não há qualquer vereador canense na Câmara Municipal! Esta ausência – que é sinónimo de falta de influência – tem consequências nos assuntos e nas decisões que se vão tomando. Quem se der ao trabalho de ler as actas da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal dos últimos 4 anos verá que os nossos pontos de vista mais consensuais (seja sobre acessibilidades, zonas industriais, deterioração dos espaços públicos, etc..) não tiverem nunca qualquer eco nas sedes próprias em que discutiram. Longe da vista, longe do coração. Como canense fico satisfeito por ver que algumas forças políticas já estão a mudar a estratégia (O Dr. José Vaz e o Hélder Ambrósio estão, para estas eleições, em lugares elegíveis). Esperamos que outros de quem também muito se espera não se atrasem e percebam que este tema é crítico, porque as alianças de ontem talvez não garantam as vitórias de amanhã. E não há almoços grátis.

Sem Lombas – Sem lombas foi o discurso de António Barreto no 10 de Junho. Um verdadeiro bálsamo nesta vida pública portuguesa afundada em casos de corrupção e ganância. Uma sociedade melhor só será possível com o exemplo a vir de cima. O nosso contributo como cidadãos é podermos pelo voto e pelo protesto premiar os sérios e castigar os menos sérios. Só com cidadãos exigentes – e fiscalizadores – poderemos construir um país melhor. Não pode haver poder público neste país com o anátema de se servir da coisa pública para enriquecimento pessoal. E não falo de questão judiciais, porque o tempo da política não é o tempo da justiça. E na política só vai a jogo quem quer. Vele a ética aplicada à mulher de César: não lhe basta ser séria, tem de o parecer.


Manuel Alexandre Henriques
(mahenriques@sapo.pt)

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