31 de julho de 2009

GIP, Eleições e 2 de Agosto

(Publicado na edição nº 128 do Jornal Canas de Senhorim)

1. Gabinete de Inserção Profissional - GIP

Importa colocar as coisas no seu lugar: a instalação do GIP em Canas de Senhorim é um facto do maior relevo. Certamente de forma ingénua, mas com espírito construtivo, temos aproveitado o espaço desta coluna para fazer uma apologia da necessidade que Canas tem de se sentir valorizada e do que as entidades públicas não têm feito – nomeadamente os vários executivos municipais - para que tal aconteça. A instalação na freguesia, promovida pela Paróquia de Canas de Senhorim, do Gabinete de Inserção Profissional é motivo de regozijo para todos os canenses e demais habitantes do concelho. Esta valência social permite ao Estado alargar a rede de luta contra o desemprego através de um “braço” inserido no coração da comunidade. Ao GIP competirá: dar informação profissional a jovens e adultos desempregados, apoiar a procura activa de emprego, acompanhar os desempregados em fase de inserção ou reinserção profissional, divulgar de ofertas de emprego e actividades de colocação, divulgar actividades de formação, entre outras actividades. Que os empregadores locais e regionais saibam ser parceiros desta nova valência. Que as paróquias do arciprestado, e demais instituições públicas autárquicas saibam valorizar este serviço contribuindo para o sucesso da mesma. A escolha da Paróquia de Canas de Senhorim como “contratante” do GIP com o Instituto do Emprego e da Formação Profissional encerra a meu ver duas grandes vantagens:
1) Despartidariza a gestão deste serviço;
2) Responsabiliza a sociedade civil, tirando dos “ombros” da administração local autárquica energias que poderão ser canalizadas para outros fins. Quem tem por ideário que o estado só deve actuar quando a sociedade civil é incapaz de responder só pode sentir-se feliz com este desfecho. Só pode ser um sinal de vitalidade o facto de termos uma instituição comunitária a querer ter um papel activo nesta matéria.
Assim, só podemos desejar à equipa paroquial encarregue desta desiderato a melhor sorte, pois a missão é nobre, necessária e todos somos poucos no combate ao flagelo do desemprego. O nosso pais será melhor quando a sociedade civil organizada for mais interventiva, libertando o estado para outras tarefas!!

2. Por um debate elevado….e pacifico
Vamos entrar dentro de algumas semanas num período habitualmente tenso da nossa vida comunitária. Com a campanha para as autarquias locais verificaremos a normal divergência de opiniões entre quais os melhores caminhos para o desenvolvimento de Canas de Senhorim e do concelho de Nelas. O confronto de ideias, quando pacifico, é o sal do debate politico. A diferença não é motivo para a exclusão, e muito menos para o insulto e ofensas gratuitas. Uma das melhores qualidades humanas é sabermos aprender com os nossos erros, e não hostilizar quem tem opinião diferente. Ganhadores serão todos aqueles que se propuserem a unir e a colocar o interesse de Canas de Senhorim em primeiro lugar. Ganhadores serão todos os que colocarem o seu empenho no desenvolvimento da nossa terra. Devemos pois repudiar as lutas fratricidas, as inscrições ofensivas ou outras manifestações sectárias que ponham canenses contra canenses. Respeitemos a democracia, condenando o radicalismo, para os vindouros não se envergonharem de nós.

3. Que 2 de Agosto?

Sabemos das dificuldades politicas, conjunturais e estruturais, que a luta pela restauração do concelho atravessa. Sabemos da grande divergência que trespassa os grupos políticos sobre quem é o “dono” do ideário do Movimento ou se este deveria ir a votos. Pessoalmente, e não sendo detentor da verdade, entendo que esta sigla pelo que já representou nesta terra, deveria estar fora da luta eleitoral. Entendo que as autárquicas deveriam ser o espaço dos partidos e dos movimentos de cidadãos. Pode ser-se pelo concelho e pensar assim? Parece-me que sim. Do que estou certo é que esta data é importante para todos os canenses, porque constitui um símbolo da união pelo desenvolvimento e da luta contra a discriminação que a vila tem sido alvo nas últimas décadas. Sem exclusões de ninguém. Que a festa e os discursos deste ano não fiquem contaminados por fundamentalismos pré-eleitorais. Que se faça desta data uma bandeira da união entre os canenses.

Manuel Alexandre Henriques
(mahenriques@sapo.pt)




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