20 de outubro de 2009

Saramago, o Comercial

O "Nóbel" Saramago, tão idolatrado pela critica resolve promover o novo livro à cacetada. Coloca-se em bicos de pés para falar do Papa Bento e lança umas atoardas "à la Richard Dawkins" para ter espaço mediático. A idade não perdoa. E por falar em grandes males da humanidade, ao "Nóbel" não lhe ocorre agora nenhuma ideologia bem intencionada cuja prática não bata com a teoria ?
Uma intervenção para esquecer ( mas também não é preciso chegar tão longe).

5 comentários:

PortugaSuave disse...

Sim, o lado comercial está assegurado através da polémica, contudo não encontro nenhuma observação de Saramago sobre o Antigo Testamento com que não concorde.
Cumprim.

MANUEL HENRIQUES disse...

@Portuga Suave

Os textos biblicos devem ser lidos e contextualizados. Aos olhos do homem do séx XXI parecem anacrónicos. Mas importa referir que as "religiões do livro", nas suas correntes mais moderadas, não fazem hoje leituras literais.
Discordo do Saramago pois acho o Antigo Testamento um livro fascinante e poderoso. Teológicamente o seu relevo, pelo menos para mim que sou católico, é hoje um pouco mais marginal.
Cumprimentos

Grupo Prometeu disse...

Presumo que estejam a manifestar a vossa opinião acerca da obra de Saramago,Caim,tendo lido a mesma...senão,estão a cair no erro do conjunto católico e conservador português(os verdadeiros culpados do mediatismo)que perseguiu Saramago no começo dos anos 90 por causa do Evangelho segundo...em que criticaram o autor tendo em conta os próprios dogmas e não a relevância literária da obra «proscrita».Saramago é um excelente escritor de parábolas da condição humana,e os textos biblicos têm uma forte carga simbólica e metafórica aberta às mais diferentes interpretações,servindo estes parâmetros a sua inclusão na obra de Saramago.
Saramago,o nosso Nobel,é apreciado pela critica e por leitores exigentes,e realmente a idade não perdoa,a única comparação que me vem à mente é a do Vinho do Porto.
Já agora,mérito para Richard Dawkins pelo Gene Egoísta.
Cumprimentos
Renato Bispo

MANUEL HENRIQUES disse...

Desculpa só agora estar a responder.
Desde o teu comentário até à data que escrevo os contornos deste caso ficaram mais claros com Saramago a admitir ter exagerado um pouco (na questão da fonte dos maus costumes). Sobre a sua profunda ignorância face aos textos biblicos também pouco tenho a dizer. Todos vimos e ouvimos esta discussão. Com isto, e discordando totalmente dele, e de ti, acho que estas polémicas, contráriamente ao que diz alguma critica, são saudáveis e têm tradição na cultura portuguesa.

Sobre alguns apontamentos que fazes tenho a referir o seguinte. O "segmento" Católico e Conservador é relevante, tem peso social e tem, na minha opinião, uma importância muito maior para o futuro do país de que outros segmentos bem queridos e politicamente correctos. O uso do termo "conservador" talvez não esteja a ser empregue correctamente por ti. Um conservador não é um retrógado nem um reaccionário. É um desconfiando, um céptico, que só muda para melhor.

Sobre os méritos literários de Saramago de acordo.Sem ser o meu escritor preferido, conheço a obra razoávelmente. Devo dizer-te que depois do Nóbel não repetiu obras como o " Envagelho.." ou o "Ensaio sobre a cegueira...", as que mais gostei.


Sobrd Dawkins conheço-o do "God´s Delusion" ( onde assume os corolários e conclusões da obra "gene egoista"). Não me parece que seja própriamente uma figura exemplar. É extremista e tem uma "Fé" inabalável numa certa "religião cientifica". Esta visão do mundo é para mim errada. É um mundo onde não gostaria de viver.
E a ciência também falha.

Cumprimentos

Grupo Prometeu disse...

Saudações
Agora que a poeira assentou,e o Caim é «yesterday´s news»,devo confessar que na altura me revoltou ser notícia a suposta polémica e não o mérito literário,ou não,da referida obra.
Relativamente ao conceito «conservador» está bem empregue,pois refiro-me a alguém que «se opõe a mudanças radicais».Concordo com a parte de serem desconfiados e cépticos,mas discordo com a parte de «mudar para melhor»,tendo estes «consevadores» servido muitas vezes de entrave a Reformas e Revoluções ao longo da História,cruciais para o desenvolvimento do Ser Humano e reconhecimento enquanto Indíviduo numa plena Sociedade de Direito Igualitária.Reconheço que o conceito tem contornos um bocado latos,o que tenha levado a uma certa confusão...
Quanto ao Richard Dawkins,não concordo com tudo o que diz,tendo inclusive uma certa aversão às teorias dele quanto à literatura de contornos fantásticos ou de fantasia que não tenham contornos ciêntificos!
Relativamente às outras questões,tenho uma perspectiva antagónica,mas respeito a sua opinião e crenças,e quem sabe de futuro até podemos discutir as mesmas.
Os melhores cumprimentos
Renato Bispo