19 de fevereiro de 2010


(Publicado na Edição nº 134 do Jornal "Canas de Senhorim")



O Comércio Local

O comércio local na freguesia de Canas de Senhorim merece uma nota de destaque. Contra as incidências do emprego que afectaram a freguesia nos últimos anos. Contra a natural atracção e maior oferta dos grandes centros urbanos (nomeadamente Viseu, Aveiro e Coimbra) o comércio local tem sabido actualizar-se e fornecer o sangue que faz correr a nossa vila. Vários foram os estabelecimentos que nos últimos anos se modernizaram oferecendo serviços de qualidade. Outros, mais conservadores, mantêm o nível que os seus clientes desejam e esperam. Na sua generalidade tratam-se de pequenos negócios familiares, que são a principal fonte de sustento de algumas famílias, e geradores de postos de trabalho, alguns permanentes e outros sazonais, e que merecem a nossa consideração e incentivo.
A importância do nosso comércio é cada vez maior porque, a par da Escola e do Centro Social Paroquial, é este que faz mexer a nossa economia. Infelizmente o tempo da grande Indústria empregadora já lá vai (e também não nos dão condições para que este tempo regresse). Na actividade comercial há abrir e há fechar. Há negócios que correm bem e outros que não. Não faz parte da nossa cultura aceitar como natural que um negócio não funcione. Mas são assim as “leis da economia”. Bem Hajam os que investem por cá. E os resistentes que mantêm os seus negócios em tempos difíceis.
O último natal trouxe consideráveis melhorias na animação natalícia, que, julgo, terão beneficiando o comércio. Recuperou-se a dignidade pública desta festividade – a contrastar com a pobreza franciscana de anos transactos.
Gostar da sua terra é também, sempre que possível, nela adquirir bens e serviços. E felizmente na nossa terra existe comércio de grande qualidade. O comércio local de Canas precisa do seu contributo. Compre em Canas!


As Grandes Opções do Plano

As grandes opções do plano da Câmara Municipal para 2010 decepcionaram qualquer crédulo. As mesmas revelam uma situação financeira preocupante com uma autarquia asfixiada financeiramente em que 90% das suas receitas correntes estão afectas a despesas fixas. Aspirações propaladas na Campanha eleitoral (Casa da Cultura, Centro Escolar, Remodelação do quartel dos Bombeiros, etc) tem uma dotação de zero ou próxima de zero.É pacífico, e politica à parte, que a capacidade de investimento do Município se tem reduzido drasticamente nos últimos anos.
Percebemos que muitos recorram aos entes públicos, em particular aos Municípios, procurando emprego em épocas de dificuldade. Mas se essa é uma solução fácil e que dá votos e fideliza clientelas, mas não leva concerteza ao bom governo da coisa pública, perpetuando o subdesenvolvimento e gerando injustiças. Quem gere a coisa pública deve-o fazer com responsabilidade e pensando sobretudo no longo prazo. Endividamento sem rei nem roque empobrece o Município e reduz-lhe a capacidade de programar investimentos futuros. Contratar por prémio (politico) também é polémico. Como nem todos podem beneficiar da benesse é normal que haja desagrado e incómodo. O emprego público deve obdecer a uma regra de ouro: a necessidade desse posto de trabalho por quem contrata. E esta sempre acompanhada das necessárias transparência e meritocracia (técnica) na contratação. O dinheiro público não é um quintal e a sua gestão deve estar orientada por princípios éticos que não a confiança politica.
2010 será por isso um ano “quase” em falso para o Concelho em geral e Canas em particular.
A evolução das finanças públicas portuguesas perspectiva uma “dieta”, inevitável, nos próximos anos para o Município de Nelas e outros em situação idêntica. Muitos gastos em actividades festivas, e até em Associações que nos são queridas, devem ser repensados.

Para qualquer dúvida, esclarecimento ou sugestão agradeço o contacto para mahenriques@sapo.pt