22 de março de 2010

A Liderança do PSD

Uma das causas da sensação de "finis patriae" que vivemos é também motivada pelo momento que vive o PSD. A incapacidade das anteriores e actual direcção de mobilizarem os portugueses para um projecto alternativo tem levado o Centro-Direita em Portugal ao descrédito. Estou persuadido que dificilmente o PSD terá, nos próximos anos, uma maioria absoluta. No entanto acredito que coligado com o CDS/PP tal será possível. E possível porque a sociedade clama por uma alternativa séria que combine os valores liberais na economia e uma postura mais conservadora nos temas sociais. Defender um emagrecimento estado, uma baixa nos impostos, maior parceria nas funções sociais entre estado e privados (porque o estado não pode estar em todo lado), acabar com a promiscuidade entre o estado e as empresas do regime, introduzir a boa educação do principio do utilizador-pagador nos serviços públicos, acabar com os mitos da universalidade, colocar os parcos recursos públicos ao serviço de quem mais precisa, reformar o mapa autárquico português para parâmetros do séc. XXI, combater sem tréguas a corrupção (nomeadamente nas empresas públicas e nas autarquias locais), acabar com a indigência subsidio-dependente que só se tem agravado nos últimos anos, Regionalizar o país. Outros temas relevantes poderiam ser mencionados. Mas pelo menos nestes, para se credibilizar, o PSD tem de se mostrar diferente do PS.
Já tive a oportunidade de conhecer Pedro Passos Coelho e Paulo Rangel. Passos Coelho num encontro de jovens em meados dos anos 90. Rangel numa "aula" para juristas da empresa onde trabalho. Tenho dos dois uma imagem séria e competente. Mas vejo, no presente contexto, Pedro Passos Coelho mais preparado e com mais capacidade de personificar uma alternativa para os portugueses. Mas mais que "personalidades" precisamos é de boas politicas. Sem desqualificar os adversários, mostrar porque é que um caminho diferente é melhor. Se assim não for, o PS continuará a aparecer aos portugueses como mais credível e preparado. E outro tipo de vida é necessário em Portugal!

2 comentários:

Daniel Rodrigues disse...

Manuel
Concordo que o PSD tem de tomar um rumo para garantir a oposição.

No entanto, discordo de quase tudo o que referes em matérias sociais e sector privado.

Confias mesmo na transparência e/ou sentido de estado (se é que lhe podemos chamar assim) dos grandes grupos privados?

MANUEL HENRIQUES disse...

Daniel

Confio nos privados como confio no estado. Há bons e maus exemplos. O importante é a regulação funcionar. De igual forma teremos de gerir com mais eficiência recursos públicos e privados para com menos podermos prestar mais cuidados de saúde. A tua área – saúde – é talvez o melhor exemplo. Preconceitos com o lucro? Não tenho. Quero é que mais pessoas sejam atendidas e mais vidas se salvem (se possível com menos dinheiro). Isto só será possível com o fim dos mitos da Universalidade.

Abraço