11 de abril de 2010

O Observador


(Publicado na Edição nº 136 do Jornal "Canas de Senhorim")


O PEC e os Contribuintes


É com lamento que escrevo algumas linhas sobre o “famigerado” Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC). Não que o esforço que este implica não seja necessário, mas sobretudo pelo facto de estarmos todos conscientes que as medidas mais violentas por este preconizadas podiam ter-se evitado – ou pelo menos minorado – se as suas causas, nomeadamente o elevado défice das contas públicas, fosse atacado no devido tempo. No fundo são contas simples, nada de muito complexo: se crescem as despesas ordinárias e as sustento com receitas extraordinárias, quando estas últimas cessam, temos um problema em mãos.
Durante meses discutiu-se arduamente, no espaço mediático português, a situação das contas públicas portuguesas. 2009 foi o ano de todos gastos e desperdícios: aumentos na função pública acima da inflação, descida do IVA, endividamento do estado para grandes obras públicas, promessas (não cumpridas) para diversos investimentos em infra-estruturas (criando uma dívida ainda maior: a das expectativas). Na luta mediática a “bondade” destes excessos foi mais relevante para os eleitores do que os discursos, à época, encarados como miserabilistas (talvez por incapacidade ou falta credibilidade de quem os proferia). Hoje, com razão, muitos portugueses podem legitimamente sentir-se defraudados pois não foi nada disto que lhe venderam há uns meses atrás. E o plano já estava inclinado…
Mas pior que as medidas de austeridade é a sensação da falta de “credibilidade” de quem as impõe. Como acreditar no que nos dizem quando é o ardil, o truque e a falsidade que paira no ar em tantos dos nossos “actores principais”? É difícil ou mesmo impossível. Mas a falta de consideração por quem engana o povo não deve obstar ao dever patriótico de com o nosso trabalho e dedicação, nas nossas profissões e ocupações, contribuirmos com o nosso quinhão para superar este período difícil da nossa vida colectiva e esperar, democraticamente, pelo julgamento dos vendedores de ilusões.


Mais Centro


Seja por burocracia, excesso de politização ou simplesmente laxismo, a taxa de execução do QREN anda, a nível nacional, nuns modestos 10%. Ao nível da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões a taxa de execução é superior mas não é isso que nos ocupa hoje. Sabemos que existe disponibilidade nos fundos QREN para alguns projectos há muito desejados pela população da freguesia de Canas de Senhorim – como é o caso do Centro Escolar e da Casa da Cultura. Esta disponibilidade depende também, da contribuição do Município de Nelas nesse esforço.
Ambos os processos estão atrasados. O Centro Escolar tem um sem número de indefinições (a Localização p.ex). A Casa da Cultura parece que é uma chatice falar nela. A placa que o anunciava caiu….
E outros também têm justas expectativas (por exemplo, os nossos vizinhos Santarenses almejam, justamente, por uma sala multiusos e pelo emblemático Museu do Vinho – também prometidas). As dificuldades prendem-se com a complicada situação financeira do Município, agora agravada pelo “estado de tanga” a que chegaram as finanças públicas nacionais. E 2013, ano em termina este pacote de fundos comunitários, é já ali.
Nas páginas deste Jornal opinei, há cerca de 1 ano, sem colocar em causa as necessidades de outras freguesias, que achava contrário à coesão do concelho, que o Município se endividasse apenas para infra-estruturas numa das freguesias do concelho.
Esperamos, com sinceridade que neste capítulo haja pelo menos frontalidade com a população. Que sejam divulgadas e explicadas as dificuldades. Que não se alimentem, falsas expectativas. É isso que espera de pessoas sérias, para mais com responsabilidades públicas, em tempos de austeridade.
Manuel Henriques

Para qualquer dúvida, esclarecimento ou sugestão agradeço o contacto para mahenriques@sapo.pt

2 comentários:

Anónimo disse...

@Manuel Henriques,
acaba de descrever os motivos da luta de Canas,
estes senhores, em cada ano, provocam um atraso de 6 para Canas,

e estou a ser regrado nesta análise, o que deveriam investir num ano nem em 6 o fazem

MANUEL HENRIQUES disse...

@anónimo

Não dá para negar as evidências, não é?