7 de junho de 2010

O Observador


(Publicado na Edição nº 138 do Jornal "Canas de Senhorim")
Bento XVI


A visita do Santo Padre a Portugal foi um enorme êxito pastoral e comunicacional. Tiveram os portugueses a oportunidade de acompanhar a mensagem que nos deixou por aqueles dias. A visita serviu também para afastar uma injusta imagem de frieza (um cliché sobre os alemães) que lhe colaram desde o início do seu pontificado, em 2005.
Mais do que os banhos de multidão – que um Papa num pais católico sempre teria – o profundo interesse dos portugueses na sua visita foi uma surpresa para muitos. E também uma irritação para algumas franjas de laicismo ultra-radical, com tradição entre nós.
E importa continuar atento a este pontificado. Bento XVI tem-se revelado um reformador da Igreja, um pensador que nos alerta para a doença do Relativismo Cultural que grassa nas nossas sociedades e que, no caso europeu, contribui para a sensação de decadência da nossa civilização, onde o bom e o mau são questões voláteis e circunstanciais. No meu caso pessoal a mensagem que mais relevo é a do apelo à responsabilidade dos Católicos. O desafio à participação dos leigos nas mudanças sociais. O mundo de hoje tem concerteza menos católicos. Mas Bento XVI desafia-nos para a necessidade de sermos melhores católicos, numa religião que seja mais vivida e menos ritualista.

IC 37 (Outra vez)


Há 2 anos, neste Jornal, lamentámos a leviandade com que alguns políticos do concelho, nas costas dos Munícipes, pressionaram as Estradas de Portugal e os lobbys politico-partidários para alterarem o traçado do IC 37 (definido até ai em bases estritamente técnicas). Curiosamente, e por puro calculismo, esses mesmos políticos faltaram à chamada de trazer este tema para a luta autárquica. O tema doía. E muita informação para as pessoas é uma maçada. Para uns a história já fez justiça. Para outros – que persistam no erro – não deixará de o fazer. A justiça tarda, mas vem.
O que está em causa hoje? Dois traçados possíveis para o IC 37. Um deles (traçado 1) que chega ao concelho de Nelas pelas Caldas da Felgueira (com um Nó que poderá ser importantíssimo para o Turismo local), com uma 2ª saída entre a Urgeiriça e Nelas (Servindo Canas, Nelas e as várias zonas industriais do concelho) e com uma terceira zona de saída entre Carvalhal e Santar. A outra alternativa (traçado 2) chega ao concelho por Senhorim (nas Carvalhas), com uma segunda saída a norte da Zona Industrial de Nelas (junto à Estrada de Pedreles/Alcafache) e um 3º nó de saída em Santar.
Recorde-se que de todos os concelhos por onde passa (ou passará) este novo acesso, Nelas ficaria, com o traçado 1, numa localização hiper privilegiada: um nó entre Canas e Nelas, um nó para o principal pólo turístico (a Felgueira). Por cegueira partidária ou apenas por uma visão pouco lúcida daquilo que devem ser as acessibilidades ao concelho (Servir as pessoas e a economia do concelho: no seu todo), foi penoso ver pessoas com grandes responsabilidades, num concelho com as rivalidades que conhecemos, contribuir para semear a divisão.
Até ao próximo dia 9 de Junho está em Discussão Pública o Estudo de Impacte Ambiental desta via. Sem prejuízo de vivermos uma época em que o estado português não tem condições para avançar, no imediato, com este projecto (o que de forma responsável deve merecer a nossa compreensão), importa marcar uma posição clara neste assunto.
Desta forma, e por entender que a decisão que vier a ser tomada poderá ter sérias consequências para o futuro do concelho apelo fortemente a todos os que partilhem da bondade da Solução 1 que não deixem de enviar a sua participação para a Agência Portuguesa de Ambiente manifestado a sua oposição ao erro, e verdadeiro divisionismo, que a solução 2 encerra em si mesma.



Para qualquer dúvida, esclarecimento ou sugestão agradeço o contacto para mahenriques@sapo.pt

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