11 de julho de 2010

A (Não) Decisão sobre o IC 37



(Publicado na Edição nº 139 do Jornal "Canas de Senhorim")





De forma bastante surpreendente a sociedade civil mobilizou-se. Num tempo de crise, onde as dependências tolhem a liberdade das pessoas, e as impedem de se expressar livremente, devido ao olhar reprovador dos pequenos poderes, é de assinalar a relevante expressão popular que ganhou a “Petição pela Solução 1 do IC 37”. Vários presidentes de Junta, empresários, personalidades de vários partidos políticos e simples cidadãos colocaram em debate, de forma transparente e fundamentada, as vantagens desta solução para o concelho. Ficaram na defensiva aqueles – nomeadamente a Vereação Municipal – que sem justificarem, esclarecerem ou sequer se aproximarem dos que em Outubro os elegeram, apoiavam de forma envergonhada a Solução 2.
A pressão deste movimento cívico não tirou totalmente os opositores da Solução 1 do seu pedestal. Numa manobra totalmente demagógica, e consciente da total falta de senso e inexequibilidade da mesma, votaram os nossos ilustres Vereadores, em reunião de Câmara, uma proposta a enviar à Agência Portuguesa de Ambiente que sugere um acerto no traçado em que a Solução 1 viria até à Urgeiriça e depois faria um desvio a norte, pelo “futuro” IC 12, retomando a Solução 2 a norte do Campo de Futebol em Nelas. Poderei estar enganado, mas até prova em contrário esta solução parece um perfeito disparate na medida em que enxertar um IC numa auto-estrada concessionada (e portajada) seria uma bizarria que nenhum governo deixaria de rejeitar. Esta estranha proposta mais não esconde do que uma incapacidade de decidir e uma vontade de deitar mais um pouco de areia na cara do bom do povo, quando mal informado. No fundo dar a ideia que sim que procuram soluções equilibradas que a todos servem. Só se deixa enganar quem quer...
Sabemos que no actual contexto esta via não será construída pois o país não tem condições para tal. Sabemos que a posição da Câmara Municipal vale o que vale, a decisão final é homologada pelo Governo, mas.... foi o suficiente para em 2008 se alterar um traçado que era favorável a todas as freguesias do concelho. E sem pagarem politicamente esse preço.
O que na realidade nos causa perplexidade é ouvir, em surdina, que outros interesses não sindicáveis procuram condicionar as soluções. Não posso aceitar que meio hectare de vinha possa justificar uma opção que prejudica o concelho. Mas pior que uma má opção é a falta de coragem dos que não têm a humildade democrática de vir para o terreno dar as explicações que as populações merecem. Este concelho está doente. Muito doente.


Maria Natália Miranda

Na última edição deste jornal o Dr. Fernandes Pega deu-nos conta do desejo de uma das nossas mais ilustres conterrâneas – Maria Natália Miranda – em ceder, aos filhos desta terra a sua biblioteca pessoal, também cobiçada pelo Município onde reside (Loures). Não pode este desejo cair em saco roto. Importa lutar para que sejam criadas condições que permitam dar cumprimento ao desejo da nossa conterrânea, que muito nos honra. Casa da Cultura...uma ideia não esquecida.


Para qualquer dúvida, esclarecimento ou sugestão agradeço o contacto para mahenriques@sapo.pt

Sem comentários: