1 de novembro de 2010

O Observador - Centenário da República/ Feira Medieval e Feira do Vinho


(Publicado na Edição nº 142 do Jornal "Canas de Senhorim")


O Centenário da República

Comemora-se em 2010 o Centenário da República. O Jornal de Canas de Senhorim também se associa à efeméride, nesta edição e na próxima, com a publicação de textos, com grande rigor histórico, sobre os acontecimentos.
Com alguma justiça os historiadores costumam apontar que o séc. XX português começou efectivamente em 5 de Outubro de 1910. Que impressões retirar em 2010 daqueles acontecimentos? Os Republicanos de há um século eram gente bem formada, viajada, visionária. A elite intelectual do país. Introduziram reformas importantes na educação, nas leis eleitorais, nos costumes, mas cometeram um grave erro: julgaram possível mudar o país por decreto. Dos Governos Republicanos resultaram anos de empobrecimento e definhamento económico do país. Lutas fratricidas entre as diversas facções do Partido Republicano. Governos de duração efémera (por vezes semanas). Uma instabilidade pior que no ocaso da Monarquia Constitucional. Uma perseguição obsessiva e sem tréguas à Igreja Católica. Um envolvimento na 1ª Guerra Mundial mais do que discutível e de que o nosso país nada beneficiou. Confrontos sangrentos, golpes de estado, assassinatos. A igualdade no voto por concretizar (os pouco instruídos e as mulheres foram excluídos). O conflito com a classe operária...
Para alguns foram os anos turbulentos da República que permitiram a ascensão da ditadura conservadora instituída em 28 de Maio de 1926 que paralisou Portugal por quarenta e oito anos...
Com isto não tiro os méritos à República. O novo regime foi “dinamite” intelectual no atavismo português. Provavelmente, o grau de atraso do nosso país em 1910 sempre teria levado a uma Republica extremista e radical. Foi esse o padrão em toda a Europa do Sul.
Hoje, a forma Republicana de Governo é aceite por todos como uma boa herança. Para a esmagadora maioria dos portugueses a única aceitável. Para Republicanos de direita e de esquerda, além da separação entre o estado e da igreja, da disseminação da instrução escolar pública, do patriotismo, a melhor das heranças foi o ideal da ética republicana de governo das coisas públicas que, mesmo no estertor da luta politica não se compadece com a pequena corrupção, privilégio e o abuso da coisa pública em proveito próprio. Longa vida à forma Republicana de Governo.

Feira Medieval e Feira do Vinho

Está de parabéns a organização da Feira do Vinho de 2010. O certame ano após ano cresce em sofisticação. A consciência popular sobre a importância da valorização dos produtos endógenos na economia local (onde o Vinho ocupa lugar cimeiro) a par do grande número de produtores vitivinícolas de Top na região (e no concelho!) são motivos de regozijo para todos. A organização ambiciona pela internacionalização do evento. Só pensando em grande o evento pode crescer....
Sobre a Feira Medieval de 2010 estou mais expectante. Gosto muito da nossa Feira mas preocupa-me saber que a sua data, este ano, é alterada porque o Grupo “saltimbancos” que a anima teve outros compromissos e não pôde marcar presença. Ai é assim? O que pensam os canenses sobre isto? Isto dá razão aos que dizem que a feira se desvirtua da sua pureza original, entregue a profissionais que andam a soldo de um “cachet” mais alto.
Por outro lado estou curioso para perceber se a Feira se torna este ano um evento concelhio, e dessa forma promovido em conformidade, ou pelo contrário, continuará a ser uma festa apenas da Freguesia de Canas e povoações limítrofes. Em anos transactos a promoção, muito por omissão da Câmara Municipal, foi paupérrima. Espero, a exemplo de outras mostras e certames concelhios, ver a sua divulgação na imprensa regional.
Os desafios para a Feira, nos próximos anos, são grandes. Neste momento, em Portugal, já há cerca de meia centena de eventos deste género. Todos fortemente apoiados pelas autarquias locais. Se quisermos que a Feira ultrapasse um pouco as nossas fronteiras temos de ser exigentes.

4 comentários:

Anónimo disse...

Caro @Manuel Henriques, a sua prosa respeitante à feira medieval de canas, padece de um falta de informação primária, sabe: È a cãmara de nelas que financia a feira desde 2005.

Reforçando, o objectivo da cãmara e do organizador Lp é DESTRUIREM O EVENTO, que está claramente descaracterizado.

MANUEL HENRIQUES disse...

@Anónimo

o seu post padece de uma presução errada. Para mim não resulta qualquer dúvida sobre qual a entidade que custeia as despesas com o evento. Já quanto à organização da Feira ( ou viagem) medieval a mesma é da Junta/ Agrupamento de Escolas e dai o teor do meu comentário.

Cumprimentos

Anónimo disse...

e por acaso quem paga, não estabelece directivas directas ou indirectas?

Anónimo disse...

todas as associações de Canas dependem da cmnelas em + de 90% das receitas.

A câmara "encerra-as" quando quiser.