28 de fevereiro de 2011

A CASA DA CULTURA


(Publicado na Edição nº 146 do Jornal "Canas de Senhorim")


A última edição do jornal “Canas de Senhorim” deu aos seus leitores uma boa notícia: a vontade da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia levarem por diante a há muito reclamada Casa da Cultura. Recordo ainda uma entrevista dada a este jornal por um canense amigo, em 2008, que dizia com alguma ironia que achava difícil construir-se a Casa da Cultura enquanto...... não tivéssemos passeios na vila. Ele estava certo!
Esta vontade politica já foi “confirmada” no mais recente boletim informativo da Câmara Municipal. Também o presidente da Junta de Freguesia o transmitiu a viva voz à população e aos órgãos autárquicos eleitos na última Assembleia de Freguesia. É motivo para ficarmos satisfeitos e dar oportunidade a quem promete de cumprir a sua palavra.
No último ano este projecto tinha caído em descrédito. Apressadamente, no final de 2009, em tempo eleitoral, apontava-se como local para a construção deste equipamento um terreno em frente à Junta de Freguesia, “permutado” com o GDR. A referida solução era de gosto arquitectónico duvidoso e levantava dúvidas, mesmo aos mais crentes, sobre se poderia ser implantada num terreno tão estreito. Houve nitidamente alguma precipitação que o ambiente eleitoral fomentou.
Assim, a escolha da Casa do Frazão para acolher o projecto da Casa da Cultura deve ter-se, a meu ver, por acertada. Em primeiro lugar porque o projecto permite recuperar um imóvel com valor arquitectónico que se encontra actualmente em adiantado estado de degradação. Por outro lado, estando o edifício projectado para local sito entre a Escola e a Zona Histórica da Vila, possibilita uma hipótese de promover a reabilitação urbana da Rua do Paço, introduzindo-se “sangue novo” através das dinâmicas geradas pela Casa da Cultura mas também pelo Loteamento e arruamentos previstos para o local.
A Casa do Frazão terá de passar por uma profunda remodelação. Na prática ficarão de pé as paredes exteriores. Dai me parecer injusto o argumento de que não se trata de um edifício de raiz, porque é-o na verdade.
Desta forma aplaudo a mudança de localização. Corrigir um erro, ouvindo as críticas, é um sinal de inteligência que merece ser saudado.
Este projecto trás outra questão à colação: Como gerir o novo espaço? Sou defensor que os meios técnicos e humanos do Município não devem residir em exclusivo na sede do Concelho. Seria fundamental a Câmara Municipal pensar em afectar os seus recursos humanos a este equipamento para o dotar – como faz nos edifícios culturais da sede do concelho – das condições necessárias ao seu bom funcionamento. Um concelho que se quer unido passa por isso, por “comerem todos à mesma mesa”.
Estão assim criadas grandes expectativas. Estou confiante que seja um caminho sem retorno. De outra forma, e se assim não fosse, como se compreenderia este anúncio a 3 anos das eleições? Quem o fez sabe que não há espaço para falhas ou piruetas como na anterior versão/localização da Casa da Cultura.
Seria fácil adoptar um cepticismo militante, como fazem muitos. Nesta fase prefiro acreditar na palavra das pessoas e o no seu desejo de fazer progredir a sua terra. A construção da Casa da Cultura irá depender, tanto quanto julgo saber, de fundos comunitários que o Município não terá ainda concorrido. Esperamos todos que se garantam os meios necessários para fazer deste sonho realidade, tornando a Casa da Cultura numa verdadeira âncora cultural da freguesia e do concelho.

8 comentários:

Anónimo disse...

espetacular sr. Manuel H., quem leu as suas intervenções no tempo aceso da luta e quem os lê agora.
Quem acredita ou pode estar sossegado, qunado uma obra não tem financiamento?
O Senhor Manuel Henriques, permita-me.

Quem acreditou que o engôdo eleitoral do anuncio e colocação de painel em frente à junta era verdadeiro?
O Senhor Manuel Henriques, permita-me

Cump

MANUEL HENRIQUES disse...

Caro Anónimo

Para mim era mais cómodo ter essa postura (a coberto do anonimato) de duvidar sempre de tudo e todos.

Se a obra não avançar - até 2013 - cá estaremos para criticar o embuste.

Agora deve é dirigir as suas forças a quem fez a promessa e exigir que a cumpra.

As minhas posições neste assunto são claras, frontais e honestas.

Faça-me a justeza de o reconhecer.

Cumprimentos,

Anónimo disse...

Viva,
entenda Dr Manuel Henriques que não me cabe cobrar essa promessa, para isso V. exa foi eleito e representa o eleitorado; pelo que sei defende a intervenção nos lugares próprios (orgãos das instituições) e eu, estou legitimamente impedido de o fazer, mas não estou impedido de expressar a minha opinião sobre os acontecimentos.
Sobre o anonimato é irrelevante, não pretendo ter qualquer protagonismo, candidatura a eleições ou outra e posso afirmar (lirico ou não) que defendo Canas sem qualquer interesse.

Finalmente (reconheço-lhe esse direito) parece que a casa da cultura, por exemplo, terá um "aceitável" periodo de 8 anos para começar.

Cump

Anónimo disse...

um otimo carnaval

Anónimo disse...

este artigo está fantástico, foi mesmo por ter ouvido as criticas que mudaram o lugar da casa da cultura!!!

a questão é que não houve qualquer mudança ao local e sabe porquê,
porque o painel colocado em setembro de 2009 com o anúncio da casa da cultura era falso, nunca existiu projecto algum, apenas um esboço impresso numa tipografia para fins eleitorais!

a propósito alguém sabe se já adquiriram o imóvel?

Anónimo disse...

que interessa se adquiriram, não podem voltar atrás, não podem quebrar a palavra e deixar mal o nosso presidente da junta que tanto fez

Anónimo disse...

@Anónimo das 11 de Março de 2011 16:55

Vocemessê é uma pessoa de grande visão!!

Anónimo disse...

obrigado caro anónimo de 16 de Março de 2011 22:48

ainda a propósito, consegue mostrar que havia projecto (além daquele esboço) da casa da cultura correspondente aquele painel?

não, não consegue, o que prova que não é visão, é realidade.

cump.