2 de abril de 2011

O OBSERVADOR : Os Demagogos e o Estado Social


(Publicado na Edição nº147 do Jornal Canas de Senhorim)


Por Manuel Alexandre Henriques

Numa época de profunda crise como a que vivemos esperar-se-ia que o discurso político fosse, finalmente, lúcido e honesto. Mas tal não sucede, infelizmente. As últimas presidenciais e os meses que as antecederam trouxeram-nos o mais demagógico dos debates: quem é mais amigo do estado social? E infelizmente esta inútil discussão veio para ficar, tornando-se arma de arremesso dos que à falta de obra para mostrar se agarram a chavões ideológicos datados. Não deixa de ser irónico numa altura em que os credores olham para Portugal de uma forma totalmente despeitosa, fruto do mau governo da última meia dúzia de anos, alguns ainda agitem fantasmas e conspirações contra o Estado Social. Curiosamente estes “amigos” do Estado Social dedicam-se diariamente a destruí-lo com as suas politicas ruinosas – como tem sido reconhecido por todos os economistas - em particular na chamada politica das grandes obras públicas (politica esta que no caso do Distrito de Viseu só pode ter-se como um insulto e deve corar de vergonha quem deu a cara por estas obras prometidas mas não realizadas). Esta ruína para que nos atiraram está a vista por todos. Do mais erudito economista ao mais simples cidadão. Está na redução dos salários. No aumento de impostos. Na falta de crédito às empresas. Chega ou não? O problema, infelizmente para nós, não é novo. Desde a última intervenção do FMI (1983-85) nenhum governo conseguiu efectivamente uma abordagem patriótica da gestão da coisa pública. Não vale a pena por isso verberar contra os malandros dos mercados quando estamos há 25 anos a gastar mais do que aquilo que podemos. Prometendo e conferindo direitos. Sem sustentabilidade. Sem patriotismo. Sem respeito pelo dinheiro público. É certo e consensual que todos queremos melhor saúde (e esta é cada vez cara, pois todos vivemos mais e a tecnologia é mais dispendiosa), melhores reformas, melhores vias de comunicações, escolas gratuitas. Mas desmistifiquemos: isto não será possível sem reformarmos o nosso estado. Sem o nosso país se tornar mais próspero. Todos estes serviços públicos devem ser repensados. Sobretudo quanto ao financiamento e destinatários. Não podemos pagar todos o mesmo nos hospitais (os que mais podem devem pagar mais). Não podemos ter um Ensino Superior de qualidade pagando propinas quase simbólicas. Não podemos ter o país cheio de auto-estradas vazias e gratuitas. Não podemos ter o estado a competir com a sociedade, destruindo recursos. Veja-se a recente polémica com o financiamento do ensino privado. O Estado em vez de avaliar onde estão as melhores e as mais baratas soluções para o ensino dos portugueses prefere perpetuar o seu domínio sobre o sistema, esmagando a sociedade civil por preconceito ideológico. Porque não avaliar se onde estão os privados valerá mesmo a pena criar uma infra-estrutura pública concorrente? Estranho país o nosso onde em vez do Estado nos servir nós é que o servimos a ele! É neste contexto de falta de liquidez – e onde o nosso Estado se endivida para fazer pagamentos correntes – que os bardos do Regime voltam com o papão dos inimigos do Estado Social. Quem ousa colocar em causa as bases em que isto assenta é logo denominado de neo-liberal e inimigo do Estado Social. As pessoas não se podem deixar enganar. Muito menos pelos que diariamente continuam a cavar a sepultura que é a situação em que nos colocaram. E ninguém pense que esta é uma conversa enquadrada numa luta de partidos como se um Benfica-Sporting se tratasse. Os que pensam que o seu partido nunca se engana são ignorantes. Os partidos deverão reformar-se e afastar os maus dirigentes, sob pena de se tornarem inúteis e nefastos à sociedade. Infelizmente em Portugal temos partidarite a mais e sociedade a menos. Acima de tudo o conceito que suporta o Estado Social de cariz socializante deve ceder à realidade. Os fins do estado têm de se adequar aos meios disponíveis que são escassos. Temo que os portugueses, intoxicados pelos demagogos de serviço não vejam as mentiras destes falsos amigos do Estado Social. Pessoalmente prefiro sacrifícios e não caminhos fáceis, para que os meus descendentes possam viver, dentro de algumas décadas, numa país progressista como foi o Portugal em que cresci. Mas os caminhos difíceis exigem governantes credíveis e respeitados. O que infelizmente deixámos de ter há algum tempo. Voltaremos a cair no logro?


Para qualquer dúvida, esclarecimento ou sugestão agradeço o contacto para mahenriques@sapo.pt

7 comentários:

Anónimo disse...

que risada, isto não é mais do que a 1ª republica em exibição.

Vamos lá ver se o novo inquilino de S.Bento vai aumentar os salários, repôr os contributos para o ensino privado, repôr o abono de familia, acabar com SNS,baixar o IVA, não cortar o subsidio de férias, etc.

Vamos ver se tem coragem para encerrar as empresas públicas que dão prejuizo, por ex: CP, Carris, Metro, TAP, STCP ....

estamos esperançados

Anónimo disse...

vira o disco e toca o mesmo, caro observador vá dizer às pessoas, que têm que fazer um seguro de saude obrigatório, daqueles que se tiver uma doença apenas pagam até x dias de internamento, apenas pagam doenças que não sejam graves.

isto sim, fomentava o desenvolvimento e alavancava o crescimento; isto sim, seleccionava os mais inteligentes para os colégios, admiro-me é que quem quer a selecção queira que seja o estado a pagar e ao ser o estado são também os mais pobres com os impostos que pagam (por ex: IVA num Kilo de arroz e no pão),

isto sim, é "correto"

Anónimo disse...
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MANUEL HENRIQUES disse...

Meus Caros

Espero que quem se siga seja de facto um pouco melhor.

No estado em que caímos será dificil não haver melhorias ( ainda que poucas).

Anónimo disse...

DEMAGOGIA _é o que não falta ,em alguns pseudo Canenses/políticos!!

Anónimo disse...

Para a próxima assembleia de freguesia, iremos por ventura ter a maior concentraçâo de DEMAGOGOS por metro quadrado ,do País..

Anónimo disse...

na assembleia de freguesia dia 30 assistiu-se a uma verdadeira incapacidade de reivindicar desenvolvimento para canas e ao apoio incondicional da câmara de nelas. O povo precisa de saber disto, divulguem boca a boca e através de comunicação escrita porta a porta