22 de outubro de 2011

O OBSERVADOR - Compromisso



(Publicado na Edição nº154 do Jornal Canas de Senhorim)


Na presente situação do país importa reforçar o apelo cívico para a necessidade de haver mais compromisso face aos desafios que temos pela frente. Como imaginarão, não ignoro os perigos da presente situação (sobretudo se a Grécia for expulsa do euro). Mas mais do que nunca quero acreditar que a nossa antiga nação dará a volta por cima.
Em primeiro lugar lembro aos leitores que o momento de emergência nacional que vivemos impõe (nos) uma postura de consenso, uma visão menos corporativa e egoísta face aos nossos interesses mais individuais e comezinhos. Está claro para todos que temos de fazer pela vida! Que não existe ao virar da esquina – como pensávamos – nenhuma “maternal” Europa para nos salvar (com euros) se não colocarmos as nossas contas em ordem. Compromisso precisa-se e com urgência. O estado de desprestígio que o nosso país carrega – fruto da prodigalidade financeira dos últimos anos – deve merecer atenção e cuidados. O acordo “leonino” que nos foi imposto pela Troika é para cumprir, custe o que custar. Sobretudo para nos livrarmos deste fardo.
Urge recuperar o prestígio e a credibilidade (que hoje é quase zero). A prioridade nacional será, no final do exercício orçamental, cumprir as metas delineadas para o déficite (5,9 %). Poderão dizer que dinheiro não é tudo na vida, mas neste contexto, e com o modo de vida que julgamos ser devido para o nosso povo....dinheiro é pelo menos quase tudo na nossa vida. Sem dinheiro não há estado social!
Importa reter a necessidade de nos mantermos firmes nesta linha. É uma questão, em primeiro lugar, de patriotismo (no melhor sentido republicano do termo). Teremos de tomar consciência que aquilo que como sociedade achávamos ter como inalienável direito alicerçou-se (sempre) numa falsidade financiada a crédito. Com dinheiro dos outros. A demagogia politica poderá escondê-lo, mas gastámos em excesso na saúde, na educação, nas infra-estruturas, nas autonomias regionais, nas autarquias locais. Ou senão quiserem falar em excesso, falemos acima das possibilidades. Em democracia nunca tivemos um orçamento equilibrado (onde as receitas superassem as despesas). Mesmo em ditadura, no séc. xx, apenas por uma vez...
Teremos em 2012 será o pico da crise. Iremos ver no próximo ano muito oportunismo, sobretudo daqueles que estão sempre em desacordo com tudo (como alguns dos nossos “medievos” sindicatos). Muita gente a sugerir que haveria outras opções embora, certamente por modéstia, não revelando as referidas...
Importa por isso que os vários actores económicos e sociais de relevo ofereçam à nação, nesta fase tão critica, o seu contributo....compromissório. Quem continuar a dizer que é possível manter os direitos sociais com o mesmo alcance que tinham antes do dealbar da crise mente de forma risível e grosseira. Qualquer cidadão percebe que nenhum lar resistiria se anos a fio tivesse mais despesa que receitas. Porque razão sobreviveria uma nação?



Para qualquer dúvida, esclarecimento ou sugestão agradeço o contacto para mahenriques@sapo.pt

2 comentários:

Anónimo disse...

quem se abotoou com os dinheiros do BPN, quem recebe sub. de alojamento e já são 9 no governo tendo casa em Lisboa, mas dizem que vão de fim-de-semana à terra,
quem aprovou obras com o preço 10 x + que o seu custo, ... etc...

esses e outros iguais é que devem estar preocupados com o País, os restantes apenas servem para pagar, para fazer sacrificios, para viverem muito humildemente e não se meterem em cavalgadas...

escolham outro, não tenho responsabilidade nesta situação, mas não evito ser vitima dela e isto chega para mim, já tenhoa minha parte.

Anónimo disse...

O Beirão Conformista dixit